Wednesday, 1 January 2014

Se impessoal vs. se passivo, como sempre

Se impessoal vs. se passivo, como sempre

[Pergunta] «Não se desabotoa as calças em público», ou «não se desabotoam as calças em público»?
Obrigada!

Carolina Ferreira :: Jurista :: Lisboa, Portugal

[Resposta] A partir de frases como «Vende-se casas» e «Vendem-se casas», João Andrade Peres e Telmo Móia dizem na página 237 da 2.ª edição de Áreas Críticas da Língua Portuguesa: «Na nossa opinião, ambas as construções são aceitáveis, embora se possa preferir uma ou outra por razões estilísticas. A nossa posição resulta de dois factores: por um lado a aceitação generalizada por parte dos falantes que o uso do clítico impessoal com verbos transitivos parece ter; por outro lado, o facto de não julgarmos haver razões — estruturais ou semânticas — para aceitar a construção com o clítico impessoal nuns casos e rejeitá-la noutros.»
Esta é a posição prevalecente hoje para construções deste tipo: considera-se que as duas construções estão correctas, sendo o valor do clítico se diferente em cada uma delas. Na frase «Não se desabotoa as calças em público», o clítico se tem valor impessoal; na frase «Não se desabotoam as calças em público», o se tem valor apassivante. O se impessoal indica indeterminação do sujeito, e o verbo que o acompanha é sempre singular, não tendo de concordar com nenhum outro elemento da frase; ao passo que o verbo que acompanha o se apassivante concorda em número com o seu agumento interno (neste caso, as calças).
Importa dizer, no entanto, que gramáticos mais puristas consideravam que o clítico se impessoal não podia ser usado com verbos transitivos. Segundo Napoleão Mendes de Almeida, na sua Gramática Metódica da Língua Portuguesa, em construções deste tipo, com verbo transitivo, o verbo deve concordar com o constituinte que está na posição de complemento (à direita do verbo), uma vez que nestes casos o clítico se expressa passividade. Segundo esta perspectiva, a frase em questão deveria ser «não se desabotoam as calças em público».
Resta acrescentar que se usa o verbo sempre no singular, se não se tratar de um verbo transitivo directo. Diz Mendes de Almeida que se emprega «a voz passiva com os verbos intransitivos e transitivos indirectos para indicar impessoalidade, isto é, para indeterminar o sujeito do verbo, ficando o verbo sempre no singular» (p. 217). Dá como exemplos «No Rio de Janeiro passeia-se muito» ou «Precisa-se de costureiras».

A sintaxe do verbo passar («... já passava das duas...»)

A sintaxe do verbo passar («... já passava das duas...»)

[Pergunta] Como é que se deve dizer: «Ele telefonou-me já passava das duas da madrugada», ou «Ele telefonou-me já passavam das duas da madrugada»?

Muito obrigado.

Mafalda Santos :: Professora :: Leiria, Portugal

[Resposta]
A expressão correcta é a frase «já passava das duas da madrugada». Nesta frase o sujeito é inexistente e ocorre quando a a(c)ção enunciada no predicado não se refere a nenhum elemento. Nas orações construídas com este tipo de verbos, chamados impessoais, o verbo ocorre sempre na terceira pessoa. O caso do verbo passar, que exprime a noção de tempo, é um exemplo comum de orações sem sujeito.

Carla Viana :: 27/03/2007

Intimem-se

Intimem-se

[Pergunta] Apresentei aos senhores a seguinte questão: Na expressão "intimem-se os autores", usada pelos juízes para determinar à secretaria que cientifique os autores de uma ação do conteúdo de um ato processual, o verbo deve ser flexionado em função dos autores ou do destinatário da ordem (a secretaria)? O modo verbal empregado é adequado?
A resposta abalizada, oferecida pelo professor José Neves Henriques, no dia 14 de agosto de 2001, aborda assunto correlato mas não enfrenta os tópicos destacados na formulação. Receio que não tenha sido suficientemente clara. No contexto, a ordem judicial submetida à análise pode ser dita sem alteração do sentido da seguinte forma: Providencie a secretaria a intimação dos autores. Os magistrados costumam grafar o verbo no singular (intime-se) ou no plural (intimem-se), conforme se cuide de autor ou autores, respectivamente. É correto o critério adotado para emprego da flexão do verbo nessas circunstâncias. Vejam bem! A atribuição de promover a intimação pertence às secretarias das varas judiciais.
Solicito novo exame da questão.
Desculpem a insistência. Obrigada.

Beatriz Negrão :: :: Brasil

[Resposta] Vejamos, então, as seguintes frases:
1) Intimem-se os autores.
2) Intime-se os autores.
A frase preferível é a 1). O se é aqui palavra apassivadora (ou apassivante).
De facto, esta palavrinha se não raro causa confusões e indecisões sobre o seu emprego. Há um livro brasileiro muito bom que esclarece sobre o emprego do se.
Ei-lo: Napoleão Mendes de Almeida, Dicionário de Questões Vernáculas – Livraria de Ciência e Tecnologia Editora Ltda. Rua Tanabi, 353 – Perdizes, São Paulo.
Se procurar a palavra se, encontra lá tudo sobre ela. Diz assim este dicionário:
«Constituem erros inomináveis construções como vende-se livros usados, conserta-se relógios, reforma-se chapéus.» Como vemos, é este o caso da frase (2).
Tal como, segundo este autor muito sabedor, estas frases estão erradas, está também errada a frase (2). Segundo este mestre, devemos dizer «vendem-se livros usados». Portanto, a frase correcta é a (1).
Em intimem-se os autores, o verbo está na voz passiva. Este se apassiva o verbo. Isto é, intimem-se = sejam intimados. Por isso, denomina-se de partícula ou palavra apassivante ou apassivadora.
Segundo o livro citado, o correcto é dizermos a frase (1) e não a (2).
A frase (2) só ficará correcta, quando o sujeito (os autores) estiver no singular.
(3) Intime-se o autor. = Seja intimado o autor.
O se é partícula apassivante com verbos transitivos naquelas frases em que podemos passar a forma verbal para a passiva sem mais nenhuma alteração.
(4) Comprou-se um automóvel = foi comprado um automóvel.
(5) Chama-se amigo quem me ajuda = É chamado amigo quem me ajuda.
(6) Ontem leu-se este livro = ontem foi lido este livro.
Quando o se é pronome indefinido, não se pode fazer esta transformação.
(7) Morre-se em todas as idades.
(8) Não se é bom, quando não se gosta de ajudar o próximo.
(9) Nesta rua, não se pode conduzir com velocidade.
(10) Gosta-se daquilo que dá prazer.
(11) Aqui está-se bem.

J.N.H. :: 07/09/2001

adjunto adverbial ligado directamente à forma verbal - Vírgula depois de modificadores adverbiais

Vírgula depois de modificadores adverbiais

[Pergunta] Gostaria de esclarecer uma dúvida que surgiu em um debate sobre as famosas vírgulas. Na frase: «Alunos, nessa aula, falaremos sobre a importância da Língua Portuguesa.»
Nossa dúvida é se depois da palavra aula a vírgula é obrigatória. Acreditamos tratar-se de um adjunto adverbial deslocado.

Ana Carolina :: Estudante :: Curitiba, Brasil

[Resposta] A primeira vírgula, depois do vocativo, é obrigatória. Quanto ao modificador «nessa aula», poderá ficar entre vírgulas apenas se se pretender realçá-lo. Caso contrário, não se deve usar vírgula, por se tratar de um adjunto adverbial ligado directamente à forma verbal («nessa aula falaremos»). A colocação da vírgula quebraria a continuidade da ideia.
Este procedimento aplica-se, geralmente, aos advérbios de tempo e de lugar (ou expressões adverbiais) colocados antes do verbo, por estarem directamente ligados ao predicado. Exemplos:
«Alunos, aí falaremos sobre a importância da Língua Portuguesa.»
«Alunos, agora falaremos sobre a importância da Língua Portuguesa.»
Note-se que a vírgula a seguir a um elemento deslocado serve ou para o realçar, ou para dar maior clareza à frase e prevenir equívocos. Não se trata, no entanto, de uma regra taxativa, que não admite excepções.

Maria João Matos :: 10/09/2010

Pode dizer-se, ou pode-se dizer

«Pode dizer-se», ou «pode-se dizer»?

[Pergunta] Há alguma incorrecção na frase «Pode-se dizer desta forma»? Ou não há diferença relativamente a «Pode dizer-se desta forma»?

Ana Pereira :: Estudante :: Porto, Portugal

[Resposta] Não há grande diferença entre as duas sequências, dependendo a opção por uma delas de factores ligados à chamada musicalidade da frase. Cabe referir que já Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo, 1984, pág. 314/316) consideravam que o pronome átono se pode ligar tanto ao verbo principal (por exemplo, «pode dizer-se») como ao verbo auxiliar («pode-se dizer»).
Uma vez que existem várias respostas publicadas sobre este tema, aconselhamos a leitura de: «Quero pronunciar-me»/«quero-me pronunciar»; A colocação dos pronomes átonos.

A colocação dos pronomes átonos

A colocação dos pronomes átonos

[Pergunta] Quase tudo sobre a colocação dos pronomes átonos.

José Silva :: :: Lisboa, Portugal

[Resposta] Transcreve-se aqui (com excepção/exceção dos exemplos do primeiro ponto, que foram adaptados ao exemplo da consulente) o que diz a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, a respeito da colocação dos pronomes átonos:
«1. Em relação ao verbo, o pronome átono pode estar:
a) Enclítico, isto é, depois dele:
Recomendamos-lhe.
b) Proclítico, isto é, antes dele:
Nós lhe recomendamos.
c) Mesoclítico, ou seja, no meio dele, colocação que só é possível com formas do futuro do presente ou do futuro do pretérito:
Recomendar-lhe-emos.
Recomendar-lhe-íamos.

2. Sendo o pronome átono obje(c)to dire(c)to ou indire(c)to do verbo, a sua posição lógica, normal, é a ênclise:
Agarraram-na conseguindo, a muito custo, arrastá-la do quarto.
Na segunda-feira, ao ir ao Morenal, parecera-lhe sentir pelas costas risinhos a escarnecê-la.

Há, porém, casos em que, na língua culta, se evita ou se pode evitar essa colocação, sendo por vezes divergentes neste aspe(c)to a norma portuguesa e a brasileira.
Procuraremos, assim, distinguir os casos de próclise que representam a norma geral do idioma dos que são optativos e, ambos, daqueles em que se observa uma divergência de normas entre as variantes europeia e americana da língua.

Regras gerais:
I Com um só verbo.
1.º) Quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito, dá-se tão-somente a próclise ou a mesóclise do pronome:
Eu me calarei.
Eu me calaria.
Calar-me-ei.
Calar-me-ia.

2.º) É, ainda, preferida a próclise:
a) Nas orações que contêm uma palavra negativa (não, nunca, jamais, ninguém, nada, etc.) quando entre ela e o verbo não há pausa:
– Não lhes dizia eu?
Nunca o vi tão sereno e obstinado.
– Ninguém me disse que você estava passando mal!
b) Nas orações iniciadas com pronomes e advérbios interrogativos:
Quem me busca a esta hora tardia?
– Por que te assustas de cada vez?
Como a julgariam os pais se conhecessem a vida dela?
c) Nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem desejo (optativas):
Que o vento te leve os meus recados de saudade.
Que Deus o abençoe!
– Bons olhos o vejam!
d) Nas orações subordinadas desenvolvidas, ainda quando a conjunção esteja oculta:
Quando me deitei, à meia-noite, os preços estavam à altura do pescoço.
– Prefiro que me desdenhem, que me torturem, a que me deixem só.
– Que é que desejas que te mande do Rio?
e) Com o gerúndio regido da preposição em:
Em se ela anuviando, em a não vendo (…)

3.º) Não se dá a ênclise nem a próclise com os particípios. Quando o particípio vem desacompanhado de auxiliar, usa-se sempre a forma oblíqua regida de preposição: Exemplo:
Dada a mim a explicação, saiu.

4.º) Com os infinitivos soltos, mesmo quando modificados por negação, é lícita a próclise ou a ênclise, embora haja acentuada tendência para esta última colocação pronominal:
Canta-me cantigas para me embalar!
Para não fitá-lo, deixei cair os olhos.

A ênclise é mesmo de rigor quando o pronome tem a forma o (principalmente no feminino, a) e o infinitivo vem regido da preposição a:
Se soubesse, não continuaria a lê-lo.
Logo os outros, camponeses e operários, começaram a imitá-la.

5.º) Pode-se dizer que, além dos casos examinados, a língua portuguesa tende à próclise pronominal:
a) quando o verbo vem antecedido de certos advérbios (bem, mal, ainda, já, sempre, só, talvez, etc.) ou expressões adverbiais, e não há pausa que os separe:
Até a voz, dentro em pouco, já me parecia a mesma.
Ao despertar, ainda as encontro lá, sempre se mexendo e discutindo.
Nas pernas me fiava eu.
b) quando a oração, disposta em ordem inversa, se inicia por obje(c)to dire(c)to ou predicativo:
– Tiram mais que na ceifa; isso te digo eu.
– A grande notícia te dou agora.
Razoável lhe parecia a solução proposta.
c) quando o sujeito da oração, anteposto ao verbo, contém o numeral ambos ou algum dos pronomes indefinidos (todo, tudo, alguém, outro, qualquer, etc.):
Ambos se sentiam humildes e embaraçados.
Alguém lhe bate nas costas.
d) nas orações alternativas:
– Das duas, uma: ou as faz ela ou as faço eu.

6.º Observe-se por fim que, sempre que houver pausa entre um elemento capaz de provocar próclise e o verbo, pode ocorrer a ênclise:
Pouco depois, detiveram-se de novo.

A ênclise é naturalmente obrigatória quando aquele elemento, contíguo ao verbo, a ele não se refere, como neste exemplo:
– Não, apeio-me aqui.

OBSERVAÇÃO:
Costumam os escritores do idioma, principalmente os portugueses, inserir uma ou mais palavras entre o pronome átono em próclise e o verbo, sendo mais comum a intercalação da negativa não:
Era impossível que lhe não deixasse uma lembrança.
Há tanto tempo que o não via!

II Com uma locução verbal.

1. Nas locuções verbais em que o verbo principal está no infinitivo ou no gerúndio pode dar-se:
1.º) Sempre a ênclise ao infinitivo ou ao gerúndio:
O roupeiro veio interromper-me.
– Que poderá dizer-nos aquele rato de biblioteca?
Nós íamos seguindo; e, em torno, imensa, ia desenrolando-se a paisagem.

2.º) A próclise ao verbo auxiliar, quando ocorrem as condições exigidas para a antecipação do pronome a um só verbo, isto é:
a) quando a locução verbal vem precedida de palavra negativa, e entre elas não há pausa:
Tempo que navegaremos não se pode calcular.
– Ninguém o havia de dizer.
b) nas orações iniciadas por pronomes ou advérbios interrogativos:
– Que mal me havia de fazer?
– Em que lhe posso ser útil, senhor Petra?
c) nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem desejo (optativas):
Como se vinha trabalhando mal!
Deus nos há-de proteger!
d) nas orações subordinadas desenvolvidas, inclusive quando a conjunção está oculta:
O sufrágio que me vai dar será para mim uma consagração.

3.º) A ênclise ao verbo auxiliar, quando não se verificam essas condições que aconselham a próclise:
Vão-me buscar, sem mastros e sem velas (…)
Ia-me esquecendo dela.

2. Quando o verbo principal está no particípio, o pronome átono não pode vir depois dele. Virá, então, proclítico ou enclítico ao verbo auxiliar, de acordo com as normas expostas para os verbos nas formas simples:
– Tenho-o trazido sempre…
– Arrependa-se do que me disse, e tudo lhe será perdoado.

A colocação dos pronomes átonos no Brasil
A colocação dos pronomes átonos no Brasil, principalmente no colóquio normal, difere da a(c)tual colocação portuguesa e encontra, em alguns casos, similar na língua medieval e clássica.
Podem-se considerar como características do português do Brasil e, também, do português falado nas repúblicas africanas:
a) a possibilidade de se iniciarem frases com tais pronomes, especialmente com a forma me:
– Me desculpe se falei demais.
b) a preferência pela próclise nas orações absolutas, principais e coordenadas não iniciadas por palavra que exija ou aconselhe tal colocação:
– Se Vossa Reverendíssima me permite, eu me sento na rede.
– A sua prima Júlia, do Golungo, lhe mandou um cacho de bananas.
c) a próclise ao verbo principal nas locuções verbais:
– Não, não sabes e não posso te dizer mais, já não me ouves.
– Tudo ia se escurecendo.

Justificando esta última colocação, escreve Martinz de Aguiar:
“Numa frase como ele vem-me ver, geral em Portugal, literária no Brasil, o fa(c)tor lógico deslocou o pronome me do verbo vem, para adjudicá-lo ao verbo ver, por ser ele determinante, obje(c)to dire(c)to, do segundo e não do primeiro. Isto é: deixou a língua falada no Brasil de dizer vem-me ver (factor histórico por ser mera continuação do esquema geral português), para dizer vem me-ver, que também vigia na língua, ligando-se o pronome ao verbo que o rege (factor/fator lógico). Esta colocação de tal maneira se estabilizou, que pouco se diz vem ver-me e trouxe consequências/conseqüências imprevistas:
1.ª) Pôde-se juntar o pronome ao particípio procliticamente:
Aqueles haviam se-corrompido.
2.ª) Pode-se pôr o pronome depois dos futuros (do presente e do passado):
Poderá se-reduzir, poderia se-reduzir.
Deixando de ligar-se aos futuros, para unir-se ao infinitivo, deixou igualmente de interpor-se-lhes aos elementos constitutivos.
3.ª) Em frases como vamo-nos encontrar, deixando o pronome de pospor-se à forma verbal pura, para antepor-se à nominal, deixou igualmente de determinar a dissimilação das sílabas parafónicas/parafônicas, podendo-se então dizer vamos nos-encontrar.”»

Catullus 5

Vivamus mea Lesbia, atque amemus,
rumoresque senum severiorum
omnes unius aestimemus assis!
soles occidere et redire possunt:
nobis cum semel occidit brevis lux,
nox est perpetua una dormienda.
da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.
dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut ne quis malus inuidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.